Saturday, August 13, 2011
O passante soberano transmuta em muda dor o pesar insuportável
Aquilo que vinha sonhado polvilhado de ternura no porvir
Esmorece, embrumado esvoaçando-se, sumindo ao falir
Olhos abertos... anseios pelo fechar despertos
Fechados estes, contrassensos fantasiam-se de vida em feixes...
Marcha-se em lento e pesaroso passo para o inimaginável
Espera-se que este destino que faz detento seja ao menos suportável
Ao suave soar do vento deseja-se suar a própria essência
Desfazer-se em luz ao se fazer o dia nos raios cálidos da estrela
Abrasar-se o bastante para se bastar nas brasas da mais alta morada
Ultrapassar o passante soberano na supremacia de não mais haver nenhum momento...
Certo é que ao cerrar de todas as pelejas
Ao soar de todas trombetas
Esperança será findada e em palpável real fincada
E não se chamará esse por dia
Pois o aduzir dos dias do passante não mais se vestirá de sua soberania
Ao secar da última lágrima, ao se extinguir a derradeira dor
Momento e sempre, fundidos para sempre
Não mais passarão a aprisionar em seu fluxo de antes e depois
O ser será sempre, e o sempre não mais se saberá
Consumados serão os polvilhados do porvir
E a plenitude perdurante do incessante ágape
Inundará o simples por almejar apenas nele existir
Friday, February 26, 2010
Hoje o dia amanheceu repleto de memórias
Os raios solares trouxeram acaloradas lembranças
Com a brisa da manhã chegaram antigas e conhecidas histórias
Cálidas passagens ainda vivas como transeunte que nunca descansa
Como toda glória e majestade do calor da estrela maior
Um sorriso meigo alvoreceu em minhas prosas ritmando os versos
Em meus braços estava feliz e palpável toda utopia poética
Repousando realizada refazendo-se a respirar ruborizada
Era a paz, era o sonho. Solidão jamais! Nem o olhar tristonho!
Mananciais de risos meneavam as frontes a se rir da busca
Pois que as palavras agora minguavam em sua vitória realizada como a luz que se ofusca
Os cantos naturais fluíam em cada pensamento
Entrelaçados estavam amor e união a cada momento
Mas na fugacidade da semente que em solo morre a germinar a vida
Com o tempo brotaram as espinhosas flores belas numa hora desapercebida
As faltas e desleixos que não encontram no amor a rima
Enegreceram luzes que brilhavam além de qualquer estima
Ao poeta ser humano errar é coisa certa
Desde que jamais pise os versos que exaltam e consagram-se à musa
Não pode se enfadar do cantar pedinte do olhar de sua rosa
Deve estar morto! Antes de faltar em sua ternura a entronizar em sonhos sua diva amorosa
Pois quando o coração se abre só pode ser tocado com amor
Qualquer outro contato é inadequado e fonte de dor
E assim o sonho termina em lágrimas impetuosas a desfigurar o riso
Assim os versos sangram rimas dilaceradas de angústias como de alguém que amou e foi feito piso
O tempo tortura, os sentidos aprisionam e a alegria murcha...
Hoje apesar de tudo meu bem-querer ainda sente
Meus sonhos ainda teimam em fazer de minhas pérolas o teu presente
Depois de toda a longa noite fria e ainda em meio a esta
Desejo com seu perdão ainda algo de sublime te oferecer
Tributar-te carícias douradas de amor
E realizar com todo meu coração tudo que contigo sonhei e não consegui fazer.
Monday, February 08, 2010
Austeros Alpes de altas alvas vistas
Guardiões arraigados, guerreiros guardadores
Imobilizados imortais em suas vigílias intermináveis
Encerram calados mistérios adocicados de contos felizes
Felizes os contadores de tais histórias
Que emocionam e encantam sem cerimônia
Imprimindo e cristalizando em muitas memórias
Ternuras possíveis somente nos sentidos ares da Patagônia
Sob os rosados céus do amanhecer em Bariloche
Avistado fui sem me dar conta
Em feições ruborizadas fui feito fantoche
E passados os meses silenciados em muita distância
Encontrado fui novamente por palavras simples, porém repletas de confiança
Os versos que agora vivem no jorrar em rima
Cativos nascem subjugados aos teus olhos de menina
E estas palavras que se negam a calar
São serviçais tuas, todo seu fôlego para te saciar
Agora me alegro por todas as pérolas por teus lábios ditas
E sofro a ciência da disparidade de nossas moradas
Como um garimpeiro eufórico que encontra uma enorme pepita
E se recorda da absurda fadiga de dias e horas incessantemente trabalhadas
Nos afagos distantes em que preciosamente me deleito
Em disciplinado contentamento me consolo
Singelos teus olhos me acompanham tarde da noite em meu leito
E teu iluminado sorriso cálido me embevece em tudo que olho
Majestosa Malena meiga musicada musa
Sejam agora os ventos meus criados e os céus os meus ouvidos
Para que sejam levados aos teus braços meus afagos e amores mais queridos
E incessantemente nos momentos do porvir
Viagem velozes meus e teus suspiros
Certificando-nos que mesmo ao longe lembramo-nos um do outro e vivemos a sorrir!
Monday, January 18, 2010

Dizem que quando certos astros se alinham, o firmamento pode até tremer, estrelas são eclipsadas e coisas inesperadas podem acontecer.
Dizem que as pessoas têm auras, que podem brilhar como estrelas ou até mesmo pairarem austeros no espaço como verdadeiros astros.
Dizem que, apesar de ser utopicamente raro, astros e estrelas podem colidir na imensidão do frio espaço. E que quando isso acontece, ambos se fundem, iluminam milhões de anos-luz com a energia que liberam e podem formar singularidades de proporções astronômicas...
Ninguém nunca me disse, mas eu imagino.
No dia em que seus olhinhos de estrela iluminados por teu incandescente coração apaixonante atravessou meu olhar sonhador, mergulhado em alusões utópicas de versos e mais versos a cantar e celebrar alguém que eu nem conhecia, creio que o impossível se fez provável quando nossos corações estrelados e espaciais entraram em perfeita rota de colisão terna, me fazendo vislumbrar uma singularidade no firmamento, uma estrela gigante filha de uma supernova apaixonada. Esta gerada pela perfeita união de dois corações aparentados pelo destino e fadados inevitavelmente a perfeita felicidade eterna, sendo um único sol a findar qualquer que seja a longa noite até agora vivida.
Friday, January 15, 2010

Se me forem abertos os portais do teu amor!
Lá seria minha definitiva morada
Meu lar querido como em terra idolatrada!
Faria ali um jardim florido com teus sorrisos de alegria
Margaridas formosas diariamente brotariam com os carinhos todos que te faria!
Por teus sentidos seriam vividas as estações todas:
A primavera do teu sonhar, o verão quando te realizasses
O outono em teu repousar, o inverno quando te refizesses
O amanhecer seria pouco para cantar e idolatrar teu brilhar
O anoitecer seria singelo para te abraçar e adormecer ao teu lado, a te desejar
Minhas sementes seriam preciosas como uma palavra meiga
Teu coração, meu solo, germinaria caules de amores a jorrar como seiva
Em teus belos e formosos cabelos como num bosque me perderia
E se ninguém nunca mais me encontrasse, nem me importaria, porque sei que de tua vista jamais sairia
Por teus olhares teria janelas
Pelas quais me encantariam as alvoradas das realizações todas que esperas
Em toques nos viria nosso puro alimento
Em prazeres e amores constantes eternos a nos dar sustento
Em minha voz estaria sempre o canto e a poesia
Para compor a paisagem dos fins de tarde que em meu colo minha musa se aninharia
Todos os dias seriam plenos nos sentidos e inéditos com todo sabor
Se me fossem abertos os portais do teu amor!
Tuesday, December 15, 2009

Estajamos a sós, acompanhados de nossos sentimentos e sentidos a sonhar
Realizemos juntos na solitude de nossa fuga, tudo que em nossos sonhos for real
Respiremos um ao outro, sejamos consumidos só um pouco...
Existamos ali mesmo onde estamos, como somos!
Brilhem nossos olhos com respeito às estrelas
Sejam cheias nossas prosas humildemente perante a lua
Alvoreçam nossos sorrisos submissos ao sol...
Subsista nossa alegria vendendo nossa paz ao toque
Sobreviva nossa saudade na fartura até que o olhar enfoque
Lamente o mar nossa felicidade em terra por não haver quem troque
Sejam nutridos de fome aqueles que separados nos buscam a todo torque
Seja isso sempre fato certo e seguido!
Até que o sol venha nos levar consigo
Para um alto e sublime abrigo
Para que o brilho do nosso amor deixe de ser momento
E seja como uma estrela radiante no firmamento
E como do melhor do fruto se extrai o sumo
Sejamos como uma estrela a ditar o rumo
E em perfeição e singeleza nunca vistas dantes
Nos tornemos para sempre, o mito e o sonho de todos os amantes!
Saturday, November 08, 2008
Entre o gênio e o louco, o sábio e o indouto
Entre o sublime e o vulgar, o ser e o não estar
Singelas fileiras, vivem-se sempre às beiras...
O desejado era fugido, o desistido me foi acusado
O pretendido faliu, o esquecido me perseguiu
Habitando nas frestas da novidade que causa estranheza
Recusando-se a batizá-la com sua suposta por outros nobreza
Não pertenço, não satisfaço, não me igualo nem encontro correlatos
Se os geniais nunca se reverenciam como tais
E os loucos vez por outra são tidos como os verdadeiros sensacionais
O que será daquele aflito
Que morre a cada segundo em interno conflito
Que quando valorosamente a arrogância mata
Por não admitir dar-se a si mesmo demasiada honra
Condena-se à igualdade com aqueles que a sanidade acaba
Sofrendo assim as penas frias da exclusão de ser tal qual o morto que incomoda e cala?...
Se fossem estes os últimos versos?
A indisponibilidade do passado os fariam ricos?
Ou o gélido e pavorosamente cruel tempo
Silenciaria a tudo como o finado vento?
Na verdade, no fundo de qualquer genialidade está a paixão
Indivíduos loucamente apaixonados por suas manufaturas próprias
Por assim fazerem nunca as fazem tortas
Por amarem de todo nunca geram semelhança com nada!
O amor é eterno e único...
Amar além de si também é dito loucura
Delírios egoístas batizados de “amor próprio” contra isso pelejam
Dá-se tanto de si que, neste nefasto corrompido frio mundo, se sofre tortura
Por amarem perfeitamente, independente da realidade em que estejam
Idéias geniais, delírios sensacionais
Quem determinará tão sutil diferença?
Quem arredará aquele que ouviu a Voz de sua crença?
Digo apenas isto:
Que o habitante do reino do sol
Se apaixonou tanto pelos raios cintilantes do luar quando primeiramente visto
Que desejou viver a noite de seu amor em prol
E por seguir e viver o que lhe fora dado
Ficou cego, só e desorientado
Pela luz de seu habitat abandonado
Desesperou-se por voltar ao dia
Mas seu ser estava agora em intransponível agonia
Pois que sem o luar não podia respirar e cego e só não podia viver
Só lhe restou aguardar indefinidamente
Pelo milagre solar de um novo dia nascer...

