Quem me dera fosse minha voz como um trovão, e minhas palavras como os raios, pois de tal maneira cruzariam num instante todos os céus, e neles se fariam por tudo todos ouvidos.
Que minhas lágrimas fossem a tempestade, e meu pranto a furiosa tormenta, que a todos alerta a calamidade e à atitude fomenta.
Que meu sentir se fizesse como o mais puro incenso a subir diante dEle a todo instante, lhe fazendo menção contínua do viver de um certo errante, que apesar de todo desvio, está com a vida por um fio, sempre lutando contra o coração vazio, e o sentimento frio, almejando sempre se achegar e mais conhecer, se apaixonar e nEle crescer, para ouvir e realizar sempre o seu querer. O qual depois de morto o sonho, abraçou-se dEle tão risonho, deixando para trás tudo que era precioso, para ser somente um entregue não receoso, e se alimentar alegremente, dos verbetes viventes, criadores de toda vida e detentores de toda graça e poder imensurável daquele que é incontestável.
Muito precioso seria aquele segundo, no qual se deixaria para trás inteiro o mundo, e para se gravar na eternidade, me lançaria ao seu estrado, e ali tão exposto e conhecido, tão pequeno e tão prostrado, me esvairia toda a essência, por lágrimas e tremores de confidência, a nada esperar de sua graça, nada querer de sua glória, senão apenas ali estar, e nunca sair, ali ser, e nunca cair, somente dar o que for aceito, oferecer o que é seu por direito.
E visto que do próprio amor aqui se fala, o que mais poderia se aduzir à sua presença, senão aquela própria jóia abnegada, que se doa sem nenhuma penitência, e consuma e satisfaz seu desejar em apenas a Ele se lançar?
Multiplicados fossem todos os salmos, mórbida ainda seria sua insuficiência, vaidade ainda seriam todos os palmos, para tentar se descrever a indizível sentida por Ele carência...
Tuesday, October 17, 2006
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