
Porque são os caminhos cruzados? Porque veredas que nunca sequer se imaginaram se tocam e se afetam? Quando foi determinado o curso de todas as coisas, qual terá sido o argumento que determinou que haveriam encontros e qual o propósito estaria por trás da tristeza dos desencontros?
Muitos se lançam ao apego de terem na conseqüência das perguntas as próprias respostas. Outros se gastam e se fadigam obcecados pelo objeto final de sua labuta infindável. Todos circundam a mesma morada de indagação no fim das contas...
Coisas tão pequenas e simples, atitudes corriqueiras e tão inocentemente cotidianas se mostram como portas abertas e pólos gravitacionais de novos cruzamentos e contatos posteriores aos superficiais. Superficialidades nunca satisfeitas com suas próprias brisas que seriam só para passar e não se importar mais de tão elas que são.
Portais se abrem e conduzem a novos planos dos anteriores caminhos. Não há novos mundos ou dimensões aqui, o que há são novas perspectivas das mesmas já citadas veredas, ou meramente um olhar mais acertado daquilo que aqui já se encontrava, mas não se via.
Muitos desses novos planos transcendem a própria vida, fazendo dela a água que se bebe quando se está com sede, mas que antes de vir a sede não se fazia dela sequer menção. São como a janela que se abre para que se veja o nascer do sol, mas que quando a grande estrela se põe a brilhar, tamanho é o encanto e o deslumbre extasiado da experiência de tal momento, que se ignora que se não fora aberta a janela, tal imagem de glória natural não se veria nunca.
Há porém também aqueles que se fazem frios, aqueles que iludem e confundem. Duros são os caminhos os quais se idealiza uma chegada ainda não contemplada, e no encalço de tal imagem de um sonho belo, lança-se à empreitada apaixonada de desbravar toda essa distância massacrante em prol daquele idealizado mito próprio. Mito este que, ao calcar os pés em todas as pedras e falhas de terreno tão hostil de tal caminho, começa a ruir e se desfazer em cálidas desilusões doídas no fundo da alma.
Dos primeiros não se fecha a porta. Dos últimos não se pensa em outra coisa. Nos primeiros se completa a vida, nos últimos se prepara para a mesma. Não há lugar para soberba nos primeiros nem para angústia e mágoa nos últimos, em ambos estamos vivendo. E se a vida sempre gera uma outra, certo é que para tal estamos aqui. Vivendo assim, estamos gerando, gerando estamos vivendo. Completo e equilibrado está o complexo ciclo dos caminhos, encontros e desencontros, pois seja um ou outro o modo, tudo é para a vida, e esta é e vem dAquele que a criou. O mesmo que sempre insiste em demonstrar que fruto do seu Amor são todas as coisas.

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