
Quando o maior temor brota daquele que teme
E a maior ferida é feita por aquele mesmo que geme
Para onde alvejada haverá a fuga?
E como e para que punir aquele que já há muito purga?
Vultos aterrorizantes e imagens tenebrosas trazem o pavor
Supostas presenças furtivas vindas de uma hora sem cor
Impelem e obrigam, aprisionam e punem
Enfraquecem e agrilhoam com cadeias que não existem
As palavras do Único gotejam como a serôdia chuva
Dispensando as chaves da liberdade que Ele sobrepuja
E como a névoa que do navegante oculta o rumo
O interno eu obscurece privando do prumo
As eras minhas desdobradas do viver de cada dia
Meditam sobre a fraqueza daquilo que penso ser o que por mim espia
Buscando fazer aquilo que há muito já está obrado
Redundo-me perdendo-me nas justiças daquilo que por ser já é falhado
Tornando ao lugar de onde se achava que havia partido
Findados os vaidosos esforços desperto aqui mesmo perdido
Que a Graça seja a praça do descanso e do pousar
Que Aquele que é a Graça seja compassivo em poupar
Que a Esperança que se chama Verbo não se empenhe em julgar
Pois que a própria Estrela da manhã é testemunha
Que o garimpado valor sempre foi aquilo que não se cunha
E buscado com a vida foi Aquele que não se encontra, mas que muito se ama
Penoso é ver que a cada passo os pés se sujam
E as máculas para longe parecem que lançam
Quanto mais empenho no alvejar
Mais vaidosos se me parecem os atos
Mais incapazes os próprios fatos
Contudo parece não haver escolha
Pois que ainda que se multipliquem os frios anos
O Amor por aquele segundo pleno (que seja!)
Faz ínfimos os danos
Sabido que para O caminho e A verdade os segundos são eternos
Reconduzo-me sempre aquela via de momentos nem sempre ternos
Onde posso nem que seja por um vislumbre de uma imagem perdida
Contemplar o Autor e razão da minha vida.

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