Monday, September 24, 2007


Claros... certos... cabidos...
Fortes e forçados se confundem
No turbilhão das estações dos sentidos e falas
Florescem cores e aromas validados por algo perdido
Descem até mim altivos pensamentos que para um outro abrem alas
Irrompe de distantes sabores um dia não vivido
Não alcanço mais as alturas vazadas por almejadas glórias
Desprendo feituras deixadas por verdades momentâneas
O sumo da sinceridade e o seu tato agora não passam de estórias
O eterno se revelou em falsas paixões instantâneas
Palavra perdida foi solta e lançada
Ação descabida cruel e impensada
A maior jóia da vida jaz escura desprezada
Sangra a agonia da entrega pisada
Desafortunada a aurora que iluminou aquela flor
Pobre orvalho... carinhosamente deslizava
Lançou-se por cima de todo seu brilho e calor
Ela já não sabe nem conhece o esplendor que expressava
Nunca houve estrela que recusasse se aquecer no calor do sol
Nunca se viu uma se quer que não quisesse sua luz
Estreladas noites sonhadoras foram testemunhas
O mais brilhantes dos dias ofuscado fora
Pelos olhos que radiavam de suprema alegria
A grande explosão convulsionada da perfeita felicidade
Em meio a muitas dúvidas voláteis e fúteis
Esfriou, e nas gélidas mágoas da irredutibilidade
Fez das memórias um túmulo frio
A mais bela das flores se retraiu e murchou
Não se sente mais seu doce aroma de amor e ternura
Suas cores estonteantes se tornaram num sólido dia nublado
Toda singeleza, toda pureza, todo amor... tudo
O presente se faz no desfazer contínuo do passado eterno
Sempre será para sempre quando houver lembrança
Não há derradeirismo para o afago mais terno
Nem descontinuidade para inflamada e vã esperança
A cada amanhecer surgirá a mais bela imagem
A cada noite que se mostrar estrelada e poética
Em algum lugar de tais vivas palavras
Se repetirá aquela suprema e pura estória
Mas nunca mais se fundirão sonho e realidade
Nunca mais brilharão aquelas estrelas
Pois no auge dessa encantada e doce primavera
Afadigado e exausto se calou apaixonado apelo
E como de toda imparidade sempre se espera
O calor do grande sol se esfriou e se tornou em esquecido gelo.

Wednesday, May 09, 2007


Não se torna o orvalho que da verde folha se lançou ao solo, como também não se enumera ou rejunta a areia que no vento esmorece. Aquilo que era já se foi, mas mesmo distante e remoto pode ainda estar. Assim como o caído ao solo orvalho entre os grãos da terra se espalha, imagens e ardores da melancolia se embrenham pelas frestas apáticas da memória, e como a terra umedecida, se besuntam os sentidos com os retornos daquilo que é já há muito findo. Acompanhando o desvairado vôo desordenado daqueles grãos perdidos de areia, estão palavras, sentimentos e imagens que o inconsciente clareia. Planam presentes, inexplicáveis, pela vida inteira.
Pêndulo não é apenas aquele que vai e retorna de um lado ao outro incessante em movimento, mas também aquele que pendurado preso se encontra retido à mesma contínua e repetida ação que o castiga e aprisiona, num repetir de mesmas coisas que num extremo parecem para o outro mortas, mas num momento a este torna, e àquele que se mostrava longe agora fere em proximidade intrínseca e morna.
Mensurável se faz o tempo apenas para aqueles que têm nele um limite. Este para muitos passa algoz e rápido marcando e doendo pela memória. Magnitudes inconcebíveis habitam a vultuosa História, demarcam e relembram a brevidade vaidosa com apatia mórbida.
Aquele que passeia por sobre o tempo, e no espaço enxerga poesia lúdica, é o único invisível alvo perfeitamente almejado pela completa entrega e querência do derramador de palavras melódicas da consciência transcendida. Quando afetado pela glória do sentimento supremo, qualquer inculto parafraseia a própria natureza em poesias mágicas, qualquer imundo assume num instante a nobreza casta da qual a adoração se basta, e assume a vida e o ser dAquele ímpar que compôs a Vida.
A pequeneza do submisso e sujeito ao imparável e o inalterável se desmancha em utopia crida, desbravando terrenos impensáveis de uma vida dúbia. O que se vive e o que sente se contradizem coabitando a mesma mente, ilustrando o mesmo sonho. Afetados pelos arredores físicos, porém infestado e possuído pelas palavras amorosas altas. Dá-se inquestionável ao proposto real desse impasse, confiado naquele Amor que sente e respira por ser este a nova e única essência de seu próprio ser, só se mira Aquele que se deu para que todos os sofredores dessa ambigüidade frívola virassem as costas para os seus limites, e a união plena e consoladora com o Sublime terminasse com a angústia insuportável de ter há muitas eras impensáveis e esquecidas, por uma vaidade fútil, se separado da majestosa ternura pura e insubstituível da real razão da vida.

Wednesday, February 14, 2007


A raridade de uma vida, a brevidade antes de uma súbita partida. Estão todos descuidados? Esquecidos vagam pelo momento curto sem pesar o passar do insubmissível tempo? É bem verdade que como imaturos despreocupados caminham muitos a largos passos em direção ao poente de todos nós. E nesse imediatismo cego, pisoteados são todas as simplicidades belas desapercebidas pelos brutos trovejantes em seus passos arrogantes e frios.
O imenso conglomerado único dos seres ditos inteligentes, passeia pela vida de mãos dadas com suas consciências narcisistas, se deixando conduzir por esta nefasta parceria, que nada faz a não ser esperar pelo dia, em que os pensantes nubentes do egoísmo distraídos que são, cairão completamente em sua mão, para que faça o que bem lhe queira, e te conduza ao abismo da irreversibilidade, até a beira. E daquele ponto sem volta onde até o arrependimento já se faz fútil, submersos e soterrados por toda aflição e agonia, o que chamaram por um punhado de anos de vida saberão ter sido inútil, naquele mesmo segundo em que a antiga parceria lhes empurrar com a escuridão a brilhar nos olhos.
Refugo! Refugo e vaidade serão de todos os berros. Ao recordarem dos momentos breves que chamaram de anos, e da brisa leve e ínfima que apelidaram de vida. Se ao menos por um relance tivesse sido atentado o verdadeiro futuro! Mas este lançado por eles fora para o outro lado do muro, toda vez que um natural morria, e por causa deles até mesmo o próprio planeta de habitação sofria. Ao tempo em que os atrevidos torturavam e destruíam, os acomodados se aterrorizavam e nada faziam. Era a rotina do tenebroso esporte: cruzar os braços e assistir a alheia morte! Pensando ser isso muito, davam graças ao vento que pensavam ser Deus pela sua diferente sorte.
Chegado, porém, foi aquele Dia. E todos os elementos se portaram como nunca antes, e anunciaram o momento final de intervenção estanque. E em meio ao que nunca fora visto, surgiu Aquele que por poucos fora sempre quisto. E este que do desconhecido ressurgia, trouxe consigo a memória preterida e por todos escondida. Lançou-lhes sua crueldade em rosto, e o desperdício a que suas próprias vidas tinham posto. Lembrou-lhes que muito simples era a escolha, diária e renovadora. Muitos anunciavam aos quatro ventos as palavras sábias, que não falava em fazer ou ser, mas apenas crer. E a pequena escolha por muito tempo apresentou um caminho terno, para que aqueles que vagavam pelo momento curto, o fizessem eterno.

Tuesday, February 13, 2007


O fim dos sonhos...
A chegada do frio
Abraçar o vazio
Esquecer a esperança há muito por um fio

Encarar o que agora vem
Na profunda dolorida tristeza que chamo realidade
Não vejo para nada do que por dentro construí utilidade
Não encontro ou formulo sentido para felicidade

A urgência necessária é o único impulso
Os motivos cheios de sentidos e sentimentos se esvaíram
Os objetivos são práticos, os da arte se extinguiram
Qualquer centelha de novo início logo se junta aos que há muito faliram

Muito distante se fez minha vida
Vivo este momento por ter que viver
As escolhas não existem e não posso correr
Apesar de inevitável me firo por assim ser

Longo foi o ciclo da esperança
Surgiu e quando tudo falhava
Nutriu e manteve o que já quase parava
E repetidamente perdurou até que ela própria foi como o que se desmanchava

O que fazer quanto ao próximo nascente dia?
As cores estão frias
Os brilhos todos foscos
Os corações são todos ocos
Toques plenamente sem cor futura
Palavras desnutridas de sentido
Eminente é toda a ruptura
Falta todo ar e o fôlego está perdido
As paredes impunes ao meu redor apertam
Os gritos todos ignoram
As lágrimas em vão se multiplicam
A dor não cessa nunca
Como dissipar de mim o que a escuridão me ajunta?!

Só o querer do Nome pode salvar
A luz inacessível é a única certeza
Certeza que parece longínqua
Distância quanto a qual nada posso fazer
A não ser esperar que chegue o momento salvador dEle querer

Tuesday, January 30, 2007


Quando o maior temor brota daquele que teme
E a maior ferida é feita por aquele mesmo que geme
Para onde alvejada haverá a fuga?
E como e para que punir aquele que já há muito purga?

Vultos aterrorizantes e imagens tenebrosas trazem o pavor
Supostas presenças furtivas vindas de uma hora sem cor
Impelem e obrigam, aprisionam e punem
Enfraquecem e agrilhoam com cadeias que não existem

As palavras do Único gotejam como a serôdia chuva
Dispensando as chaves da liberdade que Ele sobrepuja
E como a névoa que do navegante oculta o rumo
O interno eu obscurece privando do prumo

As eras minhas desdobradas do viver de cada dia
Meditam sobre a fraqueza daquilo que penso ser o que por mim espia
Buscando fazer aquilo que há muito já está obrado
Redundo-me perdendo-me nas justiças daquilo que por ser já é falhado

Tornando ao lugar de onde se achava que havia partido
Findados os vaidosos esforços desperto aqui mesmo perdido

Que a Graça seja a praça do descanso e do pousar
Que Aquele que é a Graça seja compassivo em poupar
Que a Esperança que se chama Verbo não se empenhe em julgar
Pois que a própria Estrela da manhã é testemunha
Que o garimpado valor sempre foi aquilo que não se cunha
E buscado com a vida foi Aquele que não se encontra, mas que muito se ama

Penoso é ver que a cada passo os pés se sujam
E as máculas para longe parecem que lançam
Quanto mais empenho no alvejar
Mais vaidosos se me parecem os atos
Mais incapazes os próprios fatos
Contudo parece não haver escolha
Pois que ainda que se multipliquem os frios anos
O Amor por aquele segundo pleno (que seja!)
Faz ínfimos os danos
Sabido que para O caminho e A verdade os segundos são eternos
Reconduzo-me sempre aquela via de momentos nem sempre ternos
Onde posso nem que seja por um vislumbre de uma imagem perdida
Contemplar o Autor e razão da minha vida.