Saturday, September 30, 2006


Intermináveis sejam todos os sons
Sons de maestria e de arte
Que venham os louvores em todos os tons
Que se ouça dessa felicidade em toda parte
Poucos sejam todos os seres do universo
Para que se cante sem reservas ou falso e frio pudor
O canto majestoso que brota da vida em verso
E se levante incandescente ao Nome o louvor
Como não se contem o amor em frasco
De amores por Ele me rasgo
Pois que somente um lampejo de seu rosto
Por uma imagem de seu amor
A tudo se recobra o gosto
E longínqua e passada viagem se faz a dor
Não há preço ou quantia que equipare essa festa celestial
A não ser aquela lembrança viva e que foi fatal
Daquele único amor e dedicação que de sua vida não fez caso
E com ela me comprou a minha
Fazendo eterno e puro o que era como pasto
E num ato de plena ternura consumada
Com seu selo me marcou para além do mensurável
Transcendendo toda aquela substância passada
Encerrou-me em uma união perfeita, íntima, salvadora e interminável.

Tuesday, September 26, 2006


Poucos são os contos, muito aquém estão dos fatos. Pois até as mais sublimes palavras, ante a majestade vivida se tornam pálidas. Invisível e indizível poderosa intervenção, faz queimar e arder grande presença, desfaz e dissipa toda a frieza da razão. Não faz uso de força ou estrondoso anúncio, não chega em turbilhão de vista, mas se porta como o que é, apresenta-se nas entrelinhas sutis de sua sabedoria, e assim que se chega põe toda oposição em aflita correria. Não há poder ou autoridade que se ponha em resistência, tudo e todos instantaneamente se devem curvar e reverenciar, visto que diante do amor e poder maior não há insistência, só o que resta é rendição e um eterno agradecer e adorar. Desde as mais profundas e insondadas calamidades do inconsciente, passando avassaladoramente por todas as particularidades latentes, até os mais negros e frios manifestos arrogantes, tudo se rende e se há de prostrar, nada resiste e se põe além da inevitável maravilhosa admiração. Porque diante daquele que antes da primeira alvorada já brilhava em si, não há alternativa a não ser se apaixonar, se entregar, adorar e sem reservas derramar todo o coração.

Monday, September 25, 2006

Que nessa noite certa se sonhe um sonho
Que nesse sonho se saiba com certeza a sadia vereda
Que a vereda vista seja vertente única
Vertente da vertigem à vista da verdade
Revivida ressentida renascida jamais reprovada

Que nesse sonho sofrido se viva uma noite
Que nessa noite escura se encare uma escolha
Que a escolha colete cores queridas da noite cansada
Cansada corte cálida casta e caída em contos
Pela dista estada depredada e depreciada mas não desistida

Sonhos...

Imagens perdidas pulverizadas
Aromas romantizados na romaria reticente
Perplexidade lúdica ante o mais querido improvável
Vida visceralmente vendida ao vento do inconsciente

Real é o que se sabe
Fato o que se sente
Certo o que se crê

Vida...

Do fundo do amor de qualquer poeta risonho
Brota o paradoxo feliz das antíteses pacíficas
Sonhar a vida não se aplica
Ao poetizar a si e a tudo, se vive um sonho.