Entre o gênio e o louco, o sábio e o indouto
Entre o sublime e o vulgar, o ser e o não estar
Singelas fileiras, vivem-se sempre às beiras...
O desejado era fugido, o desistido me foi acusado
O pretendido faliu, o esquecido me perseguiu
Habitando nas frestas da novidade que causa estranheza
Recusando-se a batizá-la com sua suposta por outros nobreza
Não pertenço, não satisfaço, não me igualo nem encontro correlatos
Se os geniais nunca se reverenciam como tais
E os loucos vez por outra são tidos como os verdadeiros sensacionais
O que será daquele aflito
Que morre a cada segundo em interno conflito
Que quando valorosamente a arrogância mata
Por não admitir dar-se a si mesmo demasiada honra
Condena-se à igualdade com aqueles que a sanidade acaba
Sofrendo assim as penas frias da exclusão de ser tal qual o morto que incomoda e cala?...
Se fossem estes os últimos versos?
A indisponibilidade do passado os fariam ricos?
Ou o gélido e pavorosamente cruel tempo
Silenciaria a tudo como o finado vento?
Na verdade, no fundo de qualquer genialidade está a paixão
Indivíduos loucamente apaixonados por suas manufaturas próprias
Por assim fazerem nunca as fazem tortas
Por amarem de todo nunca geram semelhança com nada!
O amor é eterno e único...
Amar além de si também é dito loucura
Delírios egoístas batizados de “amor próprio” contra isso pelejam
Dá-se tanto de si que, neste nefasto corrompido frio mundo, se sofre tortura
Por amarem perfeitamente, independente da realidade em que estejam
Idéias geniais, delírios sensacionais
Quem determinará tão sutil diferença?
Quem arredará aquele que ouviu a Voz de sua crença?
Digo apenas isto:
Que o habitante do reino do sol
Se apaixonou tanto pelos raios cintilantes do luar quando primeiramente visto
Que desejou viver a noite de seu amor em prol
E por seguir e viver o que lhe fora dado
Ficou cego, só e desorientado
Pela luz de seu habitat abandonado
Desesperou-se por voltar ao dia
Mas seu ser estava agora em intransponível agonia
Pois que sem o luar não podia respirar e cego e só não podia viver
Só lhe restou aguardar indefinidamente
Pelo milagre solar de um novo dia nascer...

