Wednesday, February 14, 2007


A raridade de uma vida, a brevidade antes de uma súbita partida. Estão todos descuidados? Esquecidos vagam pelo momento curto sem pesar o passar do insubmissível tempo? É bem verdade que como imaturos despreocupados caminham muitos a largos passos em direção ao poente de todos nós. E nesse imediatismo cego, pisoteados são todas as simplicidades belas desapercebidas pelos brutos trovejantes em seus passos arrogantes e frios.
O imenso conglomerado único dos seres ditos inteligentes, passeia pela vida de mãos dadas com suas consciências narcisistas, se deixando conduzir por esta nefasta parceria, que nada faz a não ser esperar pelo dia, em que os pensantes nubentes do egoísmo distraídos que são, cairão completamente em sua mão, para que faça o que bem lhe queira, e te conduza ao abismo da irreversibilidade, até a beira. E daquele ponto sem volta onde até o arrependimento já se faz fútil, submersos e soterrados por toda aflição e agonia, o que chamaram por um punhado de anos de vida saberão ter sido inútil, naquele mesmo segundo em que a antiga parceria lhes empurrar com a escuridão a brilhar nos olhos.
Refugo! Refugo e vaidade serão de todos os berros. Ao recordarem dos momentos breves que chamaram de anos, e da brisa leve e ínfima que apelidaram de vida. Se ao menos por um relance tivesse sido atentado o verdadeiro futuro! Mas este lançado por eles fora para o outro lado do muro, toda vez que um natural morria, e por causa deles até mesmo o próprio planeta de habitação sofria. Ao tempo em que os atrevidos torturavam e destruíam, os acomodados se aterrorizavam e nada faziam. Era a rotina do tenebroso esporte: cruzar os braços e assistir a alheia morte! Pensando ser isso muito, davam graças ao vento que pensavam ser Deus pela sua diferente sorte.
Chegado, porém, foi aquele Dia. E todos os elementos se portaram como nunca antes, e anunciaram o momento final de intervenção estanque. E em meio ao que nunca fora visto, surgiu Aquele que por poucos fora sempre quisto. E este que do desconhecido ressurgia, trouxe consigo a memória preterida e por todos escondida. Lançou-lhes sua crueldade em rosto, e o desperdício a que suas próprias vidas tinham posto. Lembrou-lhes que muito simples era a escolha, diária e renovadora. Muitos anunciavam aos quatro ventos as palavras sábias, que não falava em fazer ou ser, mas apenas crer. E a pequena escolha por muito tempo apresentou um caminho terno, para que aqueles que vagavam pelo momento curto, o fizessem eterno.

Tuesday, February 13, 2007


O fim dos sonhos...
A chegada do frio
Abraçar o vazio
Esquecer a esperança há muito por um fio

Encarar o que agora vem
Na profunda dolorida tristeza que chamo realidade
Não vejo para nada do que por dentro construí utilidade
Não encontro ou formulo sentido para felicidade

A urgência necessária é o único impulso
Os motivos cheios de sentidos e sentimentos se esvaíram
Os objetivos são práticos, os da arte se extinguiram
Qualquer centelha de novo início logo se junta aos que há muito faliram

Muito distante se fez minha vida
Vivo este momento por ter que viver
As escolhas não existem e não posso correr
Apesar de inevitável me firo por assim ser

Longo foi o ciclo da esperança
Surgiu e quando tudo falhava
Nutriu e manteve o que já quase parava
E repetidamente perdurou até que ela própria foi como o que se desmanchava

O que fazer quanto ao próximo nascente dia?
As cores estão frias
Os brilhos todos foscos
Os corações são todos ocos
Toques plenamente sem cor futura
Palavras desnutridas de sentido
Eminente é toda a ruptura
Falta todo ar e o fôlego está perdido
As paredes impunes ao meu redor apertam
Os gritos todos ignoram
As lágrimas em vão se multiplicam
A dor não cessa nunca
Como dissipar de mim o que a escuridão me ajunta?!

Só o querer do Nome pode salvar
A luz inacessível é a única certeza
Certeza que parece longínqua
Distância quanto a qual nada posso fazer
A não ser esperar que chegue o momento salvador dEle querer